Vontade de empresários no Brasil de burlar leis 'não surpreende'


Na edição que chegou às bancas nesta sexta-feira, a revista semanal britânica The Economist diz que as dificuldades enfrentadas para se abrir e manter um negócio no Brasil são tantas, que fica "difícil explicar por que os empresários brasileiros existem" e por que demonstram uma "não surpreendente vontade de burlar as leis".
Da BBC.com

Segundo o artigo, ao se sentar em um restaurante em São Paulo, é fácil ouvir conversas nas outras mesas sobre idéias de bons negócios. Mas a revista menciona uma recente pesquisa da Corporação Financeira Internacional (IFC, na sigla em inglês), uma organização do grupo do Banco Mundial, que afirma que os empresários brasileiros, apesar de estarem muito menos dispostos a correr riscos do que os empresários na Rússia ou na China, acabam correndo muitos mais riscos do que empresários de outros países.

"Começar um negócio leva 152 dias e precisa de 18 procedimentos diferentes, segundo o estudo mundial Fazendo Negócios, da IFC. Uma empresa de tamanho médio precisa de 2.600 horas de trabalho por ano para se manter em dia com os impostos", diz segundo Simeon Djankov, um dos autores do estudo citado pela revista. "A mesma empresa vai pagar 69% dos lucros do segundo ano de vida em impostos, se respeitar as regras e não receber incentivos fiscais especiais", diz o estudo.

Para Djankov, “essencialmente, o que determina bons empreendimentos no Brasil é a habilidade de navegar em volta da burocracia”. Já a revista afirma ainda que os empresários brasileiros demonstram uma "não surpreendente vontade de burlar as leis". “Mais difícil de explicar do que por que os empresários brasileiros são como são, é explicar por que eles existem”, conclui a Economist.

'Apetite'

O estudo mencionado pela revista aponta para a pouca disposição dos empresários em correr riscos, em comparação com os colegas russos e chineses. "Em particular, os empresários brasileiros parecem ter um apetite muito menor para riscos do que seus companheiros em outros países", diz o estudo. Os pesquisadores mediram este "apetite" oferecendo aos entrevistados opções hipotéticas de empresas, com variações de riscos e lucratividade, e oferecendo a escolha entre receber dinheiro agora, ou mais dinheiro mais tarde. “Os empresários na amostra não assumiram mais riscos do que outros brasileiros, e também tinham mais propensão a se aposentar - se ganhassem uma fortuna - do que os empresários nos outros países”.
“Talvez esta falta de vontade de acumular poder ocorra porque há coisas muito mais prazerosas para se fazer no Brasil do que trabalhar”, diz a Economist, tentando apontar razões para a aversão ao risco.

Comentário do Direito & Gestão - A burocracia é algo realmente tenebroso para os negócios e para bom convívio de qualquer sociedade. Na verdade o excesso dela é que é problema e não a burocracia em si, que serve para organizar as relações humanas. Hoje temos burocracia criada desde o atendente do guichê (que pede coisas de fruto de sua imaginação, como autenticações, cópias e comprovantes) até o prefeito, das maneiras mais esdrúxulas. Outro dia me pediram a data de emissão da carteira de identidade. Perguntei o porque e é óbivio que ninguém soube me explicar.
Muita coisa boa vem sendo feita (Clique AQUI para ver alguns exemplos), mas ainda há muito para avançar. Esse estudo do IFC é uma baboseira sem nexo e que passa a kilômetros do dia a dia brasieiro. Não condiz com a realidade de 99% das empresas do Brasil. Fico com os 70 dias da pesquisa do Sebrae/Vox Populi, bem mais próximos da realidade, mas incrivelmente longe da necessidade de um mundo de negócios ágil e que só tem a contribuir com o país, por meio dos empregos, lucros, impostos, compra, venda, prestação de serviços, etc. Isso sem falar na sensatez e na decência que se espera de uma administração pública no trato com seus cidadãos.
Demora na abertura prejudica o pequeno empresário (que deixa de faturar por alguns meses e, consequentemente, de lucrar), o trabalhador (que não recebe salário por alguns meses), a grande empresa (que não fornece para a pequena) e os governos (que não recebem impostos). Só beneficia os corruptos, que cobram a "taxa de urgência" e os imbecis que se sentem poderosos pela imposição de regras absurdas como a data de emissão da carteira de identidade.

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