''Investidor-anjo'' garante caixa e conhecimento a novas empresas


Empresários e executivos se dispõem a aplicar até R$ 1 milhão e orientar grupos nascentes

Marianna Aragão

Do Estadão

A atividade dos "investidores-anjo" - que aplicam seu próprio capital e experiência em empresas nascentes - começa a ganhar corpo no Brasil. No último ano, pelos menos quatro grupos desses profissionais surgiram no País. O movimento é bastante difundido em países europeus e Estados Unidos. Nos EUA, 60 mil companhias são capitalizadas por "anjos" todos os anos - Google e Microsoft são exemplos de empresas que nasceram com esse auxílio.Aqui, a iniciativa é recente. O primeiro grupo organizado de "anjos", o Gávea Angels, surgiu em 2002, no Rio de Janeiro. Estão sendo criados grupos em São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco, Bahia e Santa Catarina. Como o Gávea, são formados por executivos de grandes empresas e empreendedores experientes que querem apostar - e lucrar - em novos negócios. Os "investidores-anjo" têm disposição para aportar até R$ 1 milhão nas empresas.
Na capital catarinense, um grupo de 14 "investidores-anjo" foi formado em dezembro de 2007. O potencial de inovação da cidade, que concentra um pólo de empresas de games e várias incubadoras tecnológicas, motivou o economista Marcelo Cazado a organizar o projeto. "São poucas as oportunidades para quem quer se tornar "anjo" no Brasil, e o mercado daqui me interessou. Há mais de 300 empresas de tecnologia da informação (TI) apenas na grande Florianópolis", justifica Cazado, ex-executivo com passagem por multinacionais como Accenture e Coca-Cola. Desde a sua criação, o Floripa Angels recebe a adesão de dois investidores por mês. O objetivo é chegar ao fim do ano com 20 "anjos", que poderão oferecer, além do capital, conhecimento em gestão e sua rede de contatos. O prazo de saída do negócio, no grupo de Florianópolis, varia entre 36 a 48 meses. "São investimentos de risco, mas com potencial de retorno muito maior", diz Cazado. Atualmente, o grupo analisa seis empresas e deve investir na primeira até o fim deste ano.
Na Bahia, um grupo de "anjos" foi organizado há um ano, de olho nas oportunidades locais. Dos doze projetos avaliados, um foi aprovado e está em fase de entrevista. Segundo o gestor da Bahia Angels, Camilo Telles, a criação de uma fundação de pesquisa e inovação, a Fapesb, e de mestrados na área tecnológica incentivou novos empreendedores. "Para que essas cabeças não migrem para outra região, é importante termos capital local", afirma Telles. Com essa visão, seis empresários locais fundaram o grupo para investir em empresas de engenharia e TI - áreas em que os "anjos" baianos têm experiência.Segundo Afonso Cozzi, coordenador do Núcleo de Empreendedorismo da Fundação Dom Cabral, o que diferencia o "anjo" de um financiamento tradicional é o comprometimento do investidor. "O anjo não se limita a dar dinheiro e depois cobrar resultados. Ele divide seu conhecimento gerencial e setorial com o empreendedor."
MOVIMENTO Para Cozzi, o crescimento da economia e a redução na taxa de juros no País estimulam a indústria de venture capital (capital para novos empreendimentos). "É uma questão de oferta e procura", diz ele. De um lado, estão os pequenos negócios em tecnologia. "Estão crescendo muito no Brasil e precisando de crédito." Do outro, estão os investidores, que procuram melhores resultados para suas aplicações, já que a queda nos juros reduziu os ganhos de aplicações de fundos tradicionais."Há oportunidades com retorno acima da média de mercado", acredita Maurício Schneck, gestor da Recife Angels, grupo de oito empresários na capital pernambucana. De maneira informal, eles já investiram em duas empresas nos últimos dois anos. O grupo pretende se formalizar em breve e investir em empresas da região.
Outro grupo em gestação é o de Minas Gerais, que será batizado de Alterosa Anjos.Segundo o professor da Fundação Dom Cabral, as associações de "anjos" devem ganhar uma ajuda extra nos próximos anos. A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do governo federal, está criando um plano de apoio financeiro para esses grupos. A proposta prevê aporte de recursos nos primeiros 12 meses.
NÚMEROS
  • R$ 1 milhão é o valor que os "anjos" brasileiros estão dispostos a investir nas novas empresas
  • 3 a 4 anos é o prazo para que os investidores deixem o negócio
  • 60 mil empresas são capitalizadas por anjos todos os anos nos EUA
Direito e Gestão Empresarial
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