Bancos públicos dominam crédito a pequena empresa





Fernando Teixeira, do DCI
SÃO PAULO - Os bancos públicos continuam sendo os grandes fornecedores de empréstimos para pequenas e médias empresas. Segundo estimativa do Sebrae, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal foram responsáveis por 52% dos empréstimos para este segmento em 2009. Mas este ano, as instituições privadas querem aumentar a competição por este mercado que tem 5,6 milhões de potenciais clientes.

O analista de acesso a serviços financeiros do Sebrae, André Dantas, revelou que os bancos privados estão se preparando para atender os pequenos empresários. “O Bradesco tem uma rede de gerentes treinados para atender o segmento. Mesmo caminho tomou o HSBC, que já possuí uma rede de 100 gerentes para empresas com faturamento de até R$ 750 mil por ano. No Santander, já existe uma área exclusiva para faturamento de até R$ 1 milhão.”

A previsão de Dantas faz sentido quando se olha às projeções do Itaú Unibanco. O balanço do maior banco privado do Brasil apontou em seu balanço que houve uma redução na carteira de crédito para grandes empresas — retração de 13,6%, baixando de R$ 103,1 bilhões no ano passado para R$ 89,1 bilhões.

Na contra mão, as micros, pequenas e médias empresas atingiram R$ 64,3 bilhões, com crescimento de 24,7%, em março deste ano. Para estes clientes, o Itaú apostas crescer, mesmo com aumentou da Selic, na faixa de 18 a 23%, e com queda na inadimplência.

Em 12 meses, a carteira de crédito do Bradesco cresceu 10,4%, e chegou a R$ 235,2 bilhões. Um dos destaques do período foi o segmento de pequenas e médias empresas, cujo crescimento foi de 14,5%. O Bradesco projeta um crescimento de até 25% da carteira de crédito, que deve ser puxado pelas pequenas e médias empresas.

Já no Santander, a carteira de pequenas e médias empresas caiu de R$ 33,027 bilhões para R$ 30,811 bilhões no primeiro trimestre deste ano, um recuo de 6,7%. Mesmo assim o banco espera um crescimento de 22% nas operações para pessoa jurídica. Para recuperar o espaço perdido, o banco anunciou mudanças em sua estrutura de atendimento a empresas de pequeno e médio porte, além do reforço em sua equipe de atendimento, com 500 novos funcionários. O banco admite que precisa corrigir falhas em seus processos internos para conseguir atingir a meta de crescimento para este ano.

O analista do Sebrae, André Dantas, explicou que devido à crise do ano passado, os bancos públicos elevaram suas posições como fornecedores de empréstimos. “Em dezembro de 2009, os bancos públicos foram responsáveis por 41,5% dos empréstimos a empresas. Um ano antes a participação era de 36% do total de empréstimos [44% a pessoas físicas e 56% a jurídicas]”, disse.

De acordo com ele, o Banco do Brasil foi responsável por 37% do crédito; Caixa Federal 15%, o que totaliza 52%. “Já o Bradesco teve 10% da fatia. O Itaú entre 7% e 8% e o Santander, depois da incorporação do Banco Real ficou com 6% das concessões”, analisou.

Dantas disse que no período entre fevereiro de 2009 até o mesmo mês de 2010, as empresas que tomaram dinheiro dos bancos, no valor até R$ 100 mil representaram 7%. Já as que pediram acima de R$ 10 milhões representou 20%. “No primeiro trimestre de 2010 os empréstimos de até R$ 100 mil foi o segmento que mais cresceu, quase que empatando com os de R$ 10 milhões.”

O analista disse que o Sebrae fez uma sondagem, no ano passado, com 3 mil pequenas e micro empresas, revelou que apenas mil tiveram acesso ao crédito. “Das que tomaram crédito, 70% pegaram até R$ 50 mil, sendo a grande maioria para giro e investimento casado. Estimamos que metade das micros-empresas busquem crédito.” Em sua opinião, muitas vezes pequenas empresas conseguem financiamento com os fornecedores. Segundo Dantas, para ser considerada uma empresa de pequeno porte pelo Sebrae, o faturamento anual não deve ultrapassar R$ 2,4 milhões. “Aproximadamente 99% das empresas existente no País estão nesta faixa de faturamento. É um nicho extremamente relevante.”

Ele destaca ainda, que, além das empresas formais, existe um exercito de 10,5 milhões de empreendedores informais, que também buscam crédito para crescer. “O faturamento destas pessoas chega de R$ 36 mil por ano. A intenção é que todos cresçam e virem médias empresas.”

BNDES

Depois de anunciar, no ano passado, a formação do Fundo Garantidor de Crédito para Micro e Pequenas Empresas, o BNDES registrou um crescimento expressivo nos desembolsos para este segmento no primeiro trimestre deste ano.

Segundo a instituição, este ano, o desembolso do sistema para micro, pequenas e médias empresas, entre janeiro e março, mais que dobrou. Neste ano, o número de operações saltou para 111.483, ante 57.309 do ano passado. Em termos de valores, o banco emprestou R$ 9, 852 bilhões, ante R$ 4,337 bilhões.
Direito e Gestão Empresarial
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