O Famigerado Cheque Especial

A utilização constante do cheque especial é a maior prova que uma pessoa pode dar de incompetência em gestão financeira e econômica. Não fique muito ofendido meu leitor, caso esteja neste grupo. Você está acompanhado de boa parte da população do Brasil.

Quem usa cheque especial paga um valor absurdo apenas para viver 30 dias à frente. O raciocínio é simples. Suponha que você ganhe cinco mil reais por mês e entre no cheque especial todo dia 15, chegando no fim do mês devendo dois mil reais. Todos os meses você, além das suas contas, estará pagando juros que, no caso do Brasil, são altíssimos. Se a pessoa faz um grande esforço de economia durante apenas três ou quatro meses, certamente sairá do cheque especial, e a partir daí continuará a gastar o mesmo tanto que gastava antes e economizar os juros que pagava ao banco. Que beleza, fará uma poupança.

É só isso tudo. Fazer economia por algum tempo e depois nunca mais cair na tentação.

Por que tentação? Porque é na fraqueza humana perante o consumo que se baseia o cheque especial. O impulso leva as pessoas a assumirem despesas que estão, naquele momento, acima de suas possibilidades. Encontram no cheque especial um grande “amigo da onça”. Só que o “amigo da onça” tem um limite. Assim, logo que você chega ao limite, sua capacidade de gastar mais do que ganha acaba e você volta a ficar como antes, ou seja, só gastando o que ganha. Na realidade, menos, porque agora você tem que pagar juros.

É evidente que um acidente em família, por exemplo, pode tornar inadiável um gasto. Está é a verdadeira função de um cheque especial. Mas nem isso a pessoa que usa todo o seu limite de crédito tem.

Se não tiver como fugir de um gasto inesperado, no dia seguinte a uma utilização do cheque especial inicie os esforços de buscar outra forma de financiamento que não seja ficar devendo no mesmo. Se não há o que vender ou não há como ganhar mais, dois remédios devem ser utilizados em separado ou em conjunto. O primeiro é tentar trocar a dívida do cheque especial por outra de juros menor. Quase sempre isso pode ser feito dentro do próprio banco. Em seguida, entrar em um processo de economia até cobrir a dívida no tempo mais rápido possível e, assim, restabelecer seu equilíbrio financeiro e sua capacidade de enfrentar incidentes.

Agora, se você já tentou de tudo e se julga incorrigível, só há uma solução. Não tenha cheque especial.

Resumo da ópera:

Quem utiliza o cheque especial todo mês, mas consegue cobrir, não gasta mais do que ganha, só está vivendo um mês adiantado e pagando muito caro por isso.

A pessoa que usa o cheque especial continuamente na realidade não tem aquilo que o cheque especial proporciona: a tranqüilidade de estar preparada para uma verdadeira emergência.

Quem não sabe (não) usar, não deve ter.

Flávio Barcellos
Consultor

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Direito e Gestão Empresarial

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