Tipos de empreendedores e suas diferentes motivações


Por Marcos Hashimoto, do pensandogrande.com.br
Recentemente a revista Forbes publicou a lista dos homens mais ricos do mundo. Uma olhada rápida e podemos perceber que a maioria dos bilionários são empreendedores. Entre os 30 brasileiros, metade deles são donos dos seus próprios negócios. A característica desta lista nos leva facilmente a generalizar a conclusão de que as pessoas escolhem o empreendedorismo como uma forma de ficar rico.

Estudos acadêmicos com empreendedores em todo o mundo mostram que esta ideia é equivocada e que, na verdade, os verdadeiros empreendedores estão em busca de outras realizações. O que percebemos é que os empreendedores brasileiros podem ser classificados em quatro tipos na sua relação com o dinheiro:
1) O empreendedor por necessidade, aquele que precisa do dinheiro para sobreviver, não encontra outra forma de remuneração por dificuldades para se inserir no mercado de trabalho e acaba adotando o caminho do empreendedorismo como forma de se sustentar. Geralmente estes empreendedores não desejavam ter um negócio próprio, pois se pudessem escolher perceberiam que a taxa de mortalidade é alta, já que, ou o empreendedor abandona seu negócio na primeira oportunidade de emprego que aparece, ou acaba quebrando mesmo por falta de planejamento, de estrutura ou porque a oportunidade não era sustentável ao longo do tempo. Existe uma dualidade na percepção de valor do dinheiro para estes empreendedores, ou eles se classificam como os artistas que veem em sua atividade uma necessidade para sobreviver, mas dão importância a coisas mais ‘nobres’ na vida; enquanto existem outros que gostariam de ganhar mais dinheiro e conseguir respirar um pouco, mas não conseguem e precisam se contentar em viver um dia de cada vez. Nesta categoria se encaixam alguns empreendedores autônomos, artistas e alguns profissionais liberais, micro-empreendedores e empreendedores informais;
2) O empreendedor pós-sobrevivência. Trata-se daquele que começou como empreendedor por necessidade e consegue superar o sufoco dos primeiros anos, quando a instabilidade é alta e a fragilidade também. Normalmente às duras penas, estes empreendedores conseguem estabilizar seus negócios e atingir um nível de volume de negócios que lhes garante um ganho mínimo sem sobressaltos. Estes empreendedores têm medo que seu negócio saia do controle, são traumatizados pelos primeiros anos de vida do empreendimento, passaram muitas dificuldades e respiram com alívio a estabilidade adquirida. Apesar da predisposição para assumir riscos, uma característica pela qual os empreendedores normalmente são conhecidos, este tipo de empreendedor não tem a mesma predisposição para desafios. Para ele, perder o negócio é um risco, proporcionalmente muito grande, por isso ele se contenta em ter um negócio pequeno, mas que ele consiga controlar e manter. Para eles, o negócio é um meio de vida e não vemos neles muitos arroubos de crescimento. Os pequenos negócios de sobrevivência, como mercadinhos de bairro, postos de gasolina, lojas de varejo, salões de cabeleireiro e outros, se encaixam nesta categoria;

3) O empreendedor por oportunidade, que, embora bem empregado e com ótimas perspectivas de carreira no emprego tradicional, identifica uma oportunidade e cultiva há tempos o sonho de empreender e ser o dono do próprio nariz. Eles normalmente se prepararam bem antes de se lançar como empreendedores. Adquirem formação específica, ficam sempre de olho nas janelas de oportunidade, se mantém sempre informados, acumulam capital e, quando chega o momento, largam o emprego para seguir seus sonhos. A taxa de mortalidade destes empreendimentos é baixa porque os riscos proporcionais são bem menores do que os empreendedores por necessidade. A relação com o dinheiro que eles constroem varia em função de outros elementos que lhes dão satisfação, como equilíbrio de vida, hobbies e passatempos, família, viagens, prazer do trabalho, experimentação de coisas diferentes, vida social, entre outros. Para estes empreendedores, o dinheiro é bem vindo sempre e cada vez mais, porém sua importância vai caindo à medida que ele vai atingindo uma remuneração que lhe dá um bom padrão de vida a ponto dele poder se concentrar em outras coisas que lhe dão satisfação. A noção de sucesso para estes empreendedores não é exclusivamente o financeiro e sim o equilíbrio propiciado por outras conquistas nas quais o dinheiro é apenas um destes componentes. Estes empreendedores querem que seus empreendimentos cresçam, mas não muito. Não se vêem como donos de empresas gigantescas, às quais acabarão se tornando escravos. Ao contrário, preferem se manter como médias empresas em um crescimento orgânico, mas excelentes em seus campos de atuação. Por isso mesmo, estes empreendedores não se dão muito bem com investidores de risco, pois, invariavelmente seus objetivos entram em conflito. Enquanto o investidor quer ganhar muito dinheiro e rápido, o empreendedor troca facilmente seus objetivos de maior ganho por uma causa social ou um bem maior que o seu negócio pode gerar. Para eles, empreender é um estilo de vida e não uma forma de enriquecer. Entram nesta categoria empresas de tecnologia, serviços baseados em capital intelectual, negócios com médio a alto grau de inovação e nichos de mercado de alto padrão;
4) Empreendedores de alto crescimento. Estes são os que querem sair na lista da Forbes. Para estes empreendedores, não há limite para crescer. Querem crescer muito e rápido. Representam o objeto de desejo de grandes investidores, pois compartilham os mesmos objetivos e reconhecem como principal, senão o único, parâmetro de desempenho, os demonstrativos de resultados. Estes empreendedores abrem mão de muita coisa para se dedicar aos  negócios. Procuram estar sempre bem relacionados com pessoas de poder, valorizam o prestígio e são vaidosos. Para eles, não há outro objetivo em ter um negócio senão a de proporcionar a liberdade de comprar tudo que de bom e de melhor o dinheiro possa obter. Há quem questione estes empreendedores por seus valores e princípios, mas há uma grande quantidade de pessoas que se espelha em seus exemplos e cultivam os mesmos valores e objetivos. A mídia especializada trata de reforçar a mitificação destes empreendedores, dando ênfase e importância às suas histórias de vida e realizações, levando a uma questionável concepção do que é ter sucesso na vida. Nesta categoria, está qualquer tipo de negócio, desde que seja grande ou esteja na rota do alto crescimento.
Marcos Hashimoto é Consultor e palestrante nas áreas de Empreendedorismo, Estratégia e Liderança. Sócio-diretor da Lebre Consulting, especializada em Planos de Negócios e Empreendedorismo Corporativo.


Direito e Gestão Empresarial

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O auxílio doença e o Empreendedor Individual/MEI

Planilhas gratuitas para auxiliar uma boa gestão financeira

Roteiro para elaboração de contrato de prestação de serviços.