Negócios sociais têm boas perspectivas no Brasil




Especialistas defendem maior articulação entre organizações, investidores e governos
Regina Mamede

Macarena Lobos
Para gerente do Sebrae, negócios sociais devem traçar metas como qualquer empresa



Rio de Janeiro – O Brasil passou por mudanças profundas, consolidadas nos últimos dez anos, como a redução da desigualdade, o crescimento econômico e mais oportunidades para o empreendedorismo. O cenário é favorável para o surgimento de novas empresas e também para o que se convencionou chamar de negócios sociais – empreendimentos que geram lucro dedicando-se a mitigar carências da sociedade, como a baixa escolaridade e a exclusão, por exemplo. “Mas é preciso que essas iniciativas tenham o foco na própria independência e metas como qualquer outra empresa”, analisa André Spínola, gerente nacional de Desenvolvimento Territorial do Sebrae. 


Ele apresentou o painel Estratégias para a Promoção de Negócios Sociais no Brasil, no 5º Fórum Mundial de Negócios Sociais (SEWF, sigla em inglês para Social Enterprises Word Forum), que acontece nesta quarta-feira (17) e quinta-feira (18) no Centro Cultural Ação da Cidadania, zona portuária do Rio de Janeiro. A palestra de Spínola reuniu especialistas de países como Estados Unidos e Chile. O evento, que acontece pela primeira vez na América Latina, conta com representantes de 30 países. 

“Os negócios sociais têm que se preparar desde o princípio com o foco na sustentabilidade econômica do empreendimento. Assim, devem identificar seus clientes, traçar metas objetivas, além de conhecer o mercado. As organizações que os apoiam com conhecimento e recursos são importantes para criar uma base segura, mas depois esses negócios precisam ganhar autonomia. O ambiente no Brasil para empreender é fantástico, deu um salto absurdo. Um exemplo é o potencial de consumo da classe D, estimado em cerca de R$ 300 bilhões por ano”, argumentou Spínola.

O investimento no conhecimento técnico e gerencial, acesso ao capital financeiro, maior colaboração entre as organizações e envolvimento de universidades, corporações, governos e criação de marcos regulatórios também foram discutidos no painel. “Estamos trabalhando no aprimoramento de sistemas de medição dos projetos, com relatórios de acompanhamento do impacto econômico, adoção de impostos mais flexíveis, capacitação dos jovens e certificação de negócios sociais”, exemplificou a diretora da organização americana Mission Measurement (Medição Missão), Lisa Nitze


“O ambiente regulatório é importante para o desenvolvimento dos negócios sociais, porque permite ampliar a acesso ao capital financeiro, investir em capacitação e facilitar a aproximação com os investidores e outras organizações”, reforçou a gerente de Desenvolvimento para o escritório do Brasil da NESsT, Renata Truzzi, organização internacional que atua há 15 anos em mais de 10 países.


“O Sebrae pode contribuir muito na construção de um ambiente legal mais favorável, mapeando os clientes, identificando modelos e promovendo a aproximação entre os diferentes atores”, afirmou o gerente do Sebrae.


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Direito e Gestão Empresarial

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