Pular para o conteúdo principal

Estoque de Idéias



Belo Horizonte — Tachados por muitos como loucos, eles fazem o mundo mudar e caminhar mais facilmente. O que seria da humanidade se não fossem os inventores? O homem teria conseguido ir à Lua caso Santos Dumont não tivesse inventado o 14-Bis? Como ficaria o trem-bala se não fosse a locomotiva criada pelo mecânico inglês George Stephenson nos idos de 1814? E o tão cobiçado celular, cuja invenção é atribuída ao engenheiro norte-americano Martin Cooper? Ele existiria se não fosse o telefone tradicional bolado pelo escocês Alexander Graham Bell em 1876? A lista de eventos que surgiram para mudar a história é extensa. Assim como a dificuldade encontrada pelos inventores da atualidade para provar que é possível, sim, tirar as suas ideias do papel.

O primeiro passo é elaborar um documento de patente. Escrevi um livro no qual oriento os inventores sobre como proceder diante de um invento, como registrá-lo, buscar apoio etc. O livro/texto é disponibilizado gratuitamente no site www.youblisher.com/p/470958. Para participar de eventos como férias de negócio, quando há um número grande de pessoas dispostas a conhecer novos projetos, é fundamental que o criador tenha um protótipo e, de preferência, esteja com pedido de patente no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi). Sugiro sempre também que o inventor procure o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e solicite um estudo de viabilidade técnica e econômica, no qual ele poderá ter uma dimensão exata do potencial de mercado de seu invento”, diz Wagner José Fafá Borges, presidente do Instituto Mineiro da Inovação e criador do Salão do Inventor.

Natural de São Lourenço, no Sul de Minas, Paulo Gannam está com cinco invenções com patentes requeridas e cerca de 700 ideias estocadas. “Estou certo de que há muita inutilidade nessa lista, mas sei que há invenções que podem criar negócios bastante rentáveis”, conta. Há, por exem-plo, o desembaçador de vidro para espelhos de banheiro. “Trata-se de um sistema de filamentos quentes embutidos na parte de trás do espelho e que, ao detectar o vapor oriundo do chuveiro, é acionado automaticamente por meio de um sensor”, explica Gannam. “Todas as minhas invenções estão em fase de divulgação e sendo analisadas pelos departamentos competentes de empresas que contatei. Meu desejo é que algum empresário, investidor ou empresa observe o potencial que vejo nessas criações para que possamos ser parceiros.”
Muitos criam pela habilidade nata de inventar soluções — tanto para situações simples quanto para as mais mais complicadas. Há quem nunca tenha entrado em uma universidade, tampouco tenha uma pós-graduação. Mas é ágil com a lógica, com as mãos e com as ideias. Independentemente do perfil, um dos principais entraves enfrentados pelos inventores diz respeito à falta de incentivo financeiro para que as criações ganhem a escala produtiva e cheguem às mãos do consumidor final.
“Infelizmente não temos proteção e muito menos podemos ficar falando de nossos inventos, pois corremos o risco de ter nossas ideias copiadas. Apesar de não falar muito do que eu crio, estou à espera de um parceiro para lançar as ideias”, diz o psicólogo Jefferson Fernandes e Silva, que trabalha com projetos para máquinas grandes que, segundo ele, podem trazer economia para empresas e para o poder público.
Henrique Pereira de Jesus, empresário e inventor, também lamenta as dificuldades para poder comercializar suas engenhocas. “O primeiro foi um tônico capilar feito por meio de muita inspiração e pesquisa. Depois, criei outro produto 100% natural que elimina frieiras e um óleo hidratante para a pele que elimina o ressecamento, a escamação e as rachaduras. Essas três invenções estão patenteadas e aguardando um investimento para chegar ao mercado. Tenho mais seis produtos que ainda não patenteei e tenho a esperança de encontrar alguém que se interesse por eles.”
Longa espera
O processo de pedido de patente no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) pode levar cerca de oito anos. Porém, o inventor, por meio do número do protocolo que lhe é dado quando deposita o pedido no Inpi, fica protegido e pode negociar seu invento.
Em Minas Gerais, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado (Fapemig) é a agência de fomento ao desenvolvimento científico, tecnológico e de inovação. Ela está vinculada ao governo por meio do Sistema Estadual de Ciência e Tecnologia, que é coordenado pela Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. Geralmente, todas as unidades da Federa-ção têm um órgão similar para incentivar a ciência e a inovação.
Mônica de Fátima Vilela Martins, gerente de propriedade intelectual da Fapemig, explica que a missão da fundação mineira é induzir e fomentar a pesquisa e a inovação científica e tecnológica para o desenvolvimento do estado. Desde 2007, seu orçamento corresponde a 1% da receita orçamentária corrente do estado. Ela esclarece, porém, que as ideias não são passíveis de proteção intelectual. “O inventor deve procurar a Fapemig quando sua tecnologia estiver materializada e/ou quando conseguir descrever sua criação com riqueza de detalhes, demonstrando suficiência descritiva da tecnologia. Cabe ressaltar que, além da Fapemig, há os núcleos de inovação tecnológica, vinculados às instituições científicas que podem auxiliar inventores independentes no estabelecimento de parcerias para desenvolvimento da tecnologia e/ou proteção da criação”, explica.
Um exemplo interessante, entre várias invenções que receberam apoio da fundação, é o pedido de patente em cotitularidade com o inventor independente Magno Macedo Quintano. “O pedido se refere a um sensor automotivo que informa o volume real do combustível no tanque do veículo”, conta Mônica.
Outro projeto desenvolvido com apoio da Fapemig é o de Simone Caldas Mafra, pesquisadora do Departamento de Economia Doméstica da Universidade Federal de Viçosa. Depois de analisar o cotidiano de algumas famílias, ela concluiu que, do mobiliário infantil, o berço é o que oferece maiores riscos aos usuários. Percebeu que os acidentes estavam relacionados a quedas e à prisão dos braços ou da cabeça das crianças entre as grades do móvel. O protótipo de um ergoberço foi, então, desenvolvido. O móvel tem espaçamento menor, além de ser montado sem pregos e parafusos.
A fundação recebe em média 20 pedidos de apoio por ano. Atualmente, está com 26 depósitos de pedidos de patentes em cotitularidade com inventores independentes.
Comece pela patente e avalie a viabilidade
Um Brasil de criativos
Grandes invenções nacionais faci-litaram a vida de moradores ao redor do mundo. Além de Santos Dumont, que inventou o 14-Bis e o relógio de pulso,  temos, por exemplo, o cartão telefônico, criado pelo engenheiro mineiro Nélson Guilherme Bardini em 1978. Pode-se citar ainda o escorredor de arroz, bolado em 1959 pela dona de casa paulista Therezinha Beatriz Alves de Andrade Zorowich.
Embora tenha surgido das mãos e da mente de um alemão, o walkman é considerado um invento brasileiro. É que Andreas Pavel se mudou para o Brasil aos 6 anos e aqui mesmo, em 1972, inventou o aparelho. Nascida em 1950 pelas mãos do paulista Manuel de Abreu, a abreugrafia — um método rápido e barato de fazer imagens dos pulmões — avançou fronteiras e revolucionou o tratamento da tuberculose.
Inventor do século 21, Deuslar Maria Neto também planeja trazer facilidades para a medicina. Uma de suas criações é o capacete para soro. “O líquido fica em um recipiente colocado atrás do capacete. Assim, o soro não fica nem ‘dançando’ nem espremido no local. Também tem queda livre, caindo pela própria lei da gravidade, podendo ser controlado. Usando o capacete, o paciente terá as mãos livres e poderá circular livremente”, descreve o também criador do coletor de gordura, um exaustor que pode ser instalado tanto para uso caseiro como industrial.
Deuslar está à espera de parceiros para lançar suas invenções no mercado. Apesar da expectativa, ele não faz ideia de quanto custaria bancar os projetos. Paulo Gannam está na mesma situação, mas aposta na utilidade do protetor de unhas para portadores de onicofagia (termo técnico para o hábito de roer unhas). “É uma película de revestimento, sem causar desconforto. Outro invento é o sistema de cooperação no trânsito, que funciona por meio de um dispositivo eletrônico e alerta sobre qualquer problema identificável em um veículo, como luzes queimadas e pneus murchos, entre outros. O dispositivo também facilita o intercâmbio de informações entre os motoristas, que podem emitir alertas sobre acidentes, animais, incêndios e neblina”, enumera o inventor.

Direito e Gestão Empresarial

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O auxílio doença e o Empreendedor Individual/MEI

Planilhas gratuitas para auxiliar uma boa gestão financeira

Roteiro para elaboração de contrato de prestação de serviços.